Rivais usam lição do tênis para reacender paixão no cinema
A reputação do tênis como um esporte monótono é algo que seus aficionados estão sempre prontos a contestar, apesar de reconhecerem algumas de suas críticas mais comuns. As partidas de tênis são caracterizadas por sua longa duração e a aparente insignificância de vários pontos durante o jogo, o que pode torná-las menos atrativas como espetáculo. Além disso, o tênis demanda uma combinação de resiliência física e mental que nem sempre é facilmente palpável para os espectadores. No entanto, o esporte também é sobre a conexão entre os jogadores, uma busca constante, embora muitas vezes infrutífera, por diálogo em campo. Segundo o personagem de Zendaya, Tashi, em “Rivais”, o tênis é analogamente um “relacionamento”, caracterizado pelo intercâmbio de olhares e expressões de intensidade entre os jogadores, além dos enredos pessoais que se entrecruzam nesta dinâmica competitiva.
Em “Rivais”, Luca Guadagnino explora essa faceta do tênis para revitalizar algo que tem estado ausente no cenário cinematográfico: a intensidade das conexões humanas projetadas na tela grande. O diretor, conhecido por obras como “Suspiria” e “Me Chame pelo seu Nome”, demonstra entender profundamente que o sucesso do roteiro, de autoria do estreante Justin Kuritzkes, repousa na habilidade de capturar a tensão inexprimível das interações humanas. Os personagens se encontram imersos em tramas culturais que tangenciam o sucesso e o fracasso, onde a sua liberdade e os desafios psicossexuais que enfrentam são meticulosamente explorados por Kuritzkes. No entanto, é incumbência de Guadagnino tornar essa história envolvente para o público.
Para alcançar esse clima, Guadagnino conta com a colaboração de Trent Reznor e Atticus Ross para apresentar uma trilha sonora vibrante, inspirada no eurodance dos anos 90, aplicada com uma abordagem audaciosa que frequentemente desafia a narrativa convencional. Quando a música amplifica, é um sinal claro para o espectador se engajar mais profundamente com a trama. Adicionalmente, o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom e o montador Marco Costa trazem suas próprias competências ao projeto, enriquecendo a proposta de Guadagnino com imagens e montagens que alternam entre a sutileza e a provocação, capturando a complexidade das emoções e das relações físicas entre os personagens.
“Rivais” subverte expectativas ao sugerir mais do que explicita, atingindo um equilíbrio refinado entre a eloquência de suas imagens e a sutileza de seu conteúdo. Esta abordagem alude ao tênis de uma maneira que ultrapassa as barreiras do cinema convencional, concentrando-se nos momentos não ditos e nas entrelinhas da narrativa. A performance do elenco principal – Zendaya, Mike Faist e Josh O’Connor – é um testemunho da riqueza encontrada no subtexto, onde a verdadeira humanidade dos personagens reside.
Dessa forma, o filme culmina em uma partida de tênis que serve como um clímax simbólico para os conflitos e conexões precedentes, sem necessariamente conceder um fechamento convencional. Pelo contrário, “Rivais” permanece fiel à sua essência ao destacar que a “história real” está subjacente à superfície aparente. Essa percepção dos rivais usando a lição do tênis para reacender paixão no cinema, conforme articulado por Tashi, torna a experiência de assistir ao filme não apenas uma reflexão sobre o esporte, mas também sobre a própria natureza das relações humanas.
