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Desde seu lançamento, Heartstopper tem sido alvo de críticas por sua abordagem idealista, retratando personagens em um mundo praticamente perfeito, onde enfrentam poucos desafios e solucionam tudo de maneira simplificada. Entretanto, a terceira temporada da série da Netflix mantém seu tom leve, mas introduz temas mais profundos, que refletem o crescimento de seus protagonistas.
O novo ciclo se inicia com a dúvida de Charlie (Joe Locke) e Nick (Kit Connor) sobre como expressar o amor um pelo outro. Essa questão clássica dos romances adolescentes proporciona momentos fofos e divertidos entre os dois. Porém, Nick logo se dá conta de que Charlie está cada vez mais relutante em se alimentar e evita situações que possam expô-lo.
A série aprofunda-se no distúrbio alimentar de Charlie, mostrando como sua condição se agrava e afeta suas relações, especialmente com Nick, que se vê impotente para ajudar. Durante a metade da temporada, acompanhamos a evolução desse problema até que Charlie decide buscar ajuda. O seu processo de recuperação, especialmente abordado no quinto episódio, é intenso e tratado com sensibilidade. Heartstopper, assim, serve quase como um guia para seu público, começando pela orientação que a tia de Nick, uma psicóloga interpretada com delicadeza por Hayley Atwell, oferece a ele, e se estendendo ao tratamento médico que explica detalhadamente o diagnóstico de Charlie e os desafios que pode enfrentar. Essa abordagem é relevante, dada a faixa etária do público jovem, embora, em alguns momentos, o discurso didático possa tirar o espectador da narrativa.
A série então avança para um novo arco, baseado em outra obra da autora Alice Oseman, que tocará na “primeira vez” dos personagens e nas suas decisões sobre o futuro acadêmico. Apesar do tom doce que caracteriza Heartstopper, também fica evidente que os personagens estão amadurecendo.
Com o enfoque em Charlie e Nick, a interação com os amigos é menos explorada nesta temporada. Mesmo com a divulgação de uma participação especial de Jonathan Bailey (de Bridgerton) como o autor Jack Maddox, que é um grande ídolo de Charlie, sua presença é breve. Vale a pena mencionar histórias paralelas significativas, como a de Elle (Yasmin Finney), que enfrenta desafios como mulher trans, e Tori (Jenny Walser), que finalmente recebe a atenção que merece, além de seu papel de irmã de Charlie.
No decorrer de sua terceira temporada, Heartstopper ainda consegue abordar questões sensíveis e incluir mais representações. Tara (Corinna Brown) lida com um ataque de pânico devido à pressão da escolha da faculdade, Darcy (Kizzy Edgell) começa a explorar sua identidade não-binária, e Isaac (Tobie Donovan) finalmente se reconhece como assexual. A série permanece como um espaço seguro onde todos podem se encontrar.
