Diretor transforma sua trágica história familiar em filme

Diretor transforma sua trágica história familiar em filme

Na obra cinematográfica Au nom de la terre, profundamente emocionante e com um cenário de laços familiares entrelaçados ao campo, o diretor Edouard Bergeon narra as vicissitudes enfrentadas por sua própria família, com foco na figura de seu pai, um agricultor enfrentando enormes dificuldades financeiras e dívidas, culminando em uma desfecho trágico.

“Esta obra é um reflexo das minhas experiências pessoais. Venho de uma longa linhagem de camponeses, somando gerações de trabalhadores da terra tanto do lado materno quanto paterno”, revelou Bergeon quando interrogado sobre a natureza autobiográfica de seu filme, conforme mencionado no material de divulgação.

A trama de Au nom de la terre mergulha na dinâmica familiar, oferecendo uma perspectiva humana sobre as transformações ocorridas no setor agrícola ao longo das últimas quatro décadas.

O filme, com uma atuação marcante de Guillaume Canet, ressoa fortemente com os eventos atuais, especialmente em vista das recentes manifestações que sacudiram o setor agrícola na França. Lançado em 2019, rememora, entre outros eventos, dois incêndios devastadores que levaram à ruína progressiva da fazenda da família Bergeon. Em uma entrevista ao site Brut, Edouard Bergeon partilhou as memórias dolorosas de sua juventude:

“O ponto de virada foi o incêndio de 1997, que deixou meu pai totalmente desamparado. Seguiu-se um período terrivelmente sombrio de mais de dois anos, um declínio que ele jamais superou. Foi uma descida vertiginosa para uma depressão profunda, onde ele se isolou completamente, afastando-se de sua fazenda, de seu trabalho, até que, em um momento de desespero, tentou o suicídio através da ingestão de agrotóxicos”, contou o cineasta sobre a agonia enfrentada por seu pai.

Infelizmente, a narrativa retratada em Au nom de la terre não é um episódio isolado. “Todos os dias, um agricultor tira a própria vida na França, isso em 2019”, compartilhou Edouard Bergeon, refletindo sobre a continuação da triste realidade evidenciada em seu filme.

“O que aconteceu com meu pai foi há 20 anos. No entanto, pode-se dizer que pouca coisa mudou desde então, e a situação atual pode ser até pior. Ser um agricultor hoje permanece tão desafiador quanto era há duas décadas, talvez até mais, considerando que um terço dos agricultores vive com menos de 350 euros mensais”, lamentou o diretor.

Um estudo divulgado pela MSA e reportado pela France Info em 2016 revelou uma média de cerca de 1,5 suicídios de agricultores por dia, um número apontado como subnotificado, comparado à média de um suicídio a cada dois dias registrados em 2010 e 2011.

Com esta obra, o diretor transforma sua trágica história familiar em filme, trazendo à tona uma discussão essencial sobre as pressões e desafios enfrentados pelo setor agrícola e a saúde mental dos agricultores, ressaltando a urgência de abordar estas questões com empatia e ação concreta.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *