Um dos melhores episódios de série está disponível na Netflix
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Um dos melhores episódios de série está disponível na Netflix

Nos primórdios de sua trajetória como serviço de streaming, a Netflix apresentou uma de suas mais notáveis produções. Em agosto, BoJack Horseman celebrou 10 anos desde sua estreia na plataforma, permanecendo na memória dos fãs até hoje.

A série animada gira em torno de BoJack, um astro de sitcom que enfrenta os desafios da fama em Hollywood à medida que envelhece. Com seis temporadas repletas de momentos repletos de humor, melancolia, sagacidade e angústia, um episódio que se destaca é o Free Churro, da quinta temporada. Nele, um cavalo antropomórfico se dedica a expressar elogios por mais de 20 minutos, enquanto a ação visual se mantém ao mínimo. Esse formato, ao primeiro olhar, pode parecer uma ideia absurda para um episódio de série animada, que normalmente depende de visuais vibrantes para capturar o interesse do público.

No entanto, o episódio Free Churro inova ao apresentar BoJack em uma posição quase imóvel por longos períodos, em planos gerais e close-ups, em frente ao caixão de sua mãe. As histórias que ele ouve se assemelham mais a um especial de comédia ou a um podcast, desafiando as expectativas que BoJack Horseman tem consistentemente rompido ao longo de sua jornada.

O que torna o episódio tão excepcional, apesar de sua simplicidade visual, é a forma como destoa da norma de “mostrar, não contar”. A experiência auditiva se torna primordial, destacando a arte do som e da narração. Isso é atribuído, em grande parte, à atuação vocal de Will Arnett (de Arrested Development), que dá vida a BoJack no original em inglês. Com uma mistura de comédia e emoção, ele orienta o público através da narrativa. O verdadeiro destaque, no entanto, recai sobre o roteiro de Raphael Bob-Waksberg, que revela camadas de profundidade emocional por trás da interpretação de Arnett.

O episódio também se conecta à trajetória da série, marcando um clímax que evoluiu por muitos episódios. A morte da mãe de BoJack, apresentada através de histórias e flashbacks, ecoa as dificuldades enfrentadas pelo protagonista desde sua infância. Neste ponto crítico, BoJack expõe o peso que essa relação excêntrica teve em sua vida, bem como os anseios que o acompanharam por mais de cinco décadas.

Duas facetas marcam o relato de BoJack: uma libertação trágica ao compartilhar o último encontro com sua mãe, que finalmente proporcionou a ele a escuta que sempre desejou, e a dura realidade que se revela em meio a essa interação. O episódio também circunscreve um ciclo que se inicia e se conclui, simbolizando um trauma intergeracional persistente na vida de BoJack.

Não é surpresa que esse episódio tenha sido indicado ao Emmy e possua uma impressionante nota de 9,8 no IMDb, posicionando-o como um dos melhores episódios de série de todos os tempos.

BoJack Horseman demonstrou de forma poderosa como os monólogos têm espaço não apenas nas obras de Shakespeare ou no teatro, mas também em formatos de séries, sejam animadas ou não, revelando-se profundamente inspiradores. Outras séries, como The Bear e Bebê Rena, ampliaram essa estrutura narrativa.

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