trajes Hamnet

Trajes Hamnet: Como Crostas Secas Inspiraram as Cores

Design de Moda em “Hamnet”: Um Mergulho em Cores e Emoções

O filme “Hamnet”, baseado no romance de Maggie O’Farrell, já está em cartaz e apresenta uma narrativa tocante sobre William Shakespeare, interpretado por Paul Mescal, e sua esposa, Agnes, vivida por Jessie Buckley. A trama gira em torno da dor da perda de seu filho de 11 anos, Hamnet, e como essa tragédia influenciou a criação da famosa peça “Hamlet”. Sob a direção de Chloe Zhao, a história revela a complexidade do amor e da perda.

A Cor Vermelha: Simbolismo na Traje de Agnes

Em uma declaração cativante, a figurinista Malgosia Turzanska descreve sua inspiração inicial: “A primeira imagem em minha cabeça foi um coração gigante pulsando com sangue.” Para a personagem Agnes, o vermelho se torna a cor predominante, simbolizando tanto a força quanto a fragilidade da mulher em meio à tragédia.

Turzanska revela que, em suas primeiras conversas com Zhao, ainda não havia um roteiro, e elas se basearam apenas na obra. “Falamos sobre sangue, sangue menstrual, sangue pulsante… As diferentes cores de sangue definitivamente estão presentes no filme”, afirma a figurinista.

Transformação de Agnes: Da Juventude à Perda

Agnes é apresentada na floresta, jovem e vestida com um tecido vermelho. À medida que se estabelece com William e torna-se mãe, a cor se torna mais apagada, refletindo sua transição de individualidade para o papel de mãe. A mudança se intensifica após a morte de Hamnet pela peste, quando suas vestes se tornam mais escuras, representando sua tristeza profunda.

Quando William deve voltar a Londres, Turzanska opta por uma representação visual da distância entre o casal. Agnes usa um vestido simples em tons de marrom, enquanto ele é visto em camadas e couro, simbolizando a diferença em seus mundos emocionais.

Em uma cena chave, quando Agnes se levanta à mesa, parece não estar usando saia, simbolizando seu estado emocional. “A ideia era mostrar que ela começou a se arrumar, mas esqueceu de colocar a saia. Ela ainda tem motivos para viver, com outros filhos, que a mantêm unida”, conta Turzanska.

Uma Jornada de Cores e Emoções

As variações nas cores do traje de Agnes refletem sua jornada emocional. Turzanska revela que há um momento em que Agnes usa uma saia de cor ameixa, que ela descreve como um crosta seca, simbolizando o luto e a dor.

Ao final do filme, quando Agnes viaja a Londres para assistir à peça de seu marido no Globe Theatre, ela se reconecta com sua essência. Surpreendentemente, utiliza o mesmo vestido em que apareceu quando estava grávida, mas agora fechado, indicando uma forte tentativa de reencontro consigo mesma.

A Nova Interpretação de Shakespeare

A figurinista também mencionou que se afastou das imagens tradicionais do Bard. “As representações que temos foram feitas anos após sua morte, e isso me libertou de tentar permanecer fiel a qualquer uma delas”, declara. O visual de Shakespeare inclui detalhes Tudor, e o uso de recortes na vestimenta serve como um reflexo de seu estado emocional.

A primeira indumentária que ele usa ao conhecer Agnes é acolchoada, com pequenos recortes que se tornam maiores após a morte de Hamnet. Para o figurino do fantasma, Turzanska se inspirou em uma escultura de argila rachada, simbolizando a fragilidade e deterioração que vem com a morte.

Por fim, a aparência de Shakespeare no filme, coberto de argila seca que racha e se desfaz, traz à tona um homem vulnerável, exposto em sua dor. Turzanska conclui: “Isso o revela como cru e aberto”, destacando a profundidade emocional que o filme busca transmitir.
 
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