Representatividade feminina no cinema francês: ainda em falta?
Desigualdade de Gênero Continua no Cinema Francês
Apesar de avanços significativos em festivais de cinema renomados e políticas implementadas pelo Centro Nacional do Cinema (CNC) para aumentar a representação feminina nas produções, a indústria cinematográfica francesa segue dominada por homens. Um estudo da organização Collectif 50/50, que analisou 220 títulos lançados em 2024, revela que a proporção de mulheres em posições-chave continua estagnada em comparação com 2023.
Representação Feminina nas Funções Técnico-Criativas
Apenas em duas áreas as mulheres apresentam maior representação: design de figurinos, com 90%, e direção de elenco, com 80%. Segundo a Collectif 50/50, esses “cargos são historicamente percebidos como femininos” e, como resultado, ainda são amplamente ocupados por mulheres. A seguir, estão as métricas de representação em outras funções:
– Editores: 50% de mulheres
– Cenógrafos: 47% (comparado a 41% em 2023)
– Compositores musicais: 12% (em comparação com 8% em 2023)
– Cinematografistas: 13% (diminuição em relação aos 18% de 2023)
– Engenheiros de som: 11%
O maior crescimento registrado foi em efeitos especiais, onde a participação feminina subiu de 11% para 17% entre 2023 e 2024.
Desigualdade nos Orçamentos
Nas funções de destaque, as mulheres representaram 26% dos cineastas, queda de 2% em relação ao ano anterior. Elas também corresponderam a 27% dos produtores e 34% dos roteiristas, mantendo-se estáveis em relação a 2023. O estudo aponta que orçamentos mais altos são sistematicamente alocados a projetos com homens, mesmo em áreas predominantemente femininas. Por exemplo, projetos com homens como designers de figurinos receberam 27% a mais em orçamento, enquanto projetos femininos nas funções de cinematografia e composição musical tiveram orçamentos 38% e 27% inferiores, respectivamente.
Iniciativas do CNC e Resultados Parciais
Desde 2019, o CNC implementou um esquema para incentivar produtores a contratar cineastas, cinematografistas e chefes de produção mulheres, oferecendo bônus adicionais ao subsídio regular. Embora essa iniciativa tenha impulsionado o emprego feminino nos primeiros anos, a proporção estabilizou-se desde então.
Um estudo recente, apresentado pelo Dr. Stacy L. Smith e Katherine Pieper, celebrou o décimo aniversário do programa Women in Motion da Kering e revelou um aumento substancial na participação feminina: de 8,3% em 2015 para 32,3% em 2024 em funções por trás das câmeras. Nos Estados Unidos, a taxa subiu de 8% para 16,2%, enquanto na França passou de 14,4% para 25,9%.
Visibilidade das Mulheres em Festivais
Além dos números, diretoras francesas têm se destacado em festivais importantes nos últimos anos. Julia Ducournau e Justine Triet conquistaram a Palme d’Or em Cannes, enquanto Coralie Fargeat venceu na categoria de melhor roteiro por “The Substance”. A edição deste ano de Cannes também foi um forte vitrine de talentos femininos, com os filmes de Amelie Bonnin, Ducournau e Hafsia Herzi em competição.
A Collectif 50/50 teve um papel crucial na assinatura de um compromisso de paridade de gênero e diversidade por festivais de cinema internacionais, começando por Cannes em 2018, e já conta com 156 festivais que assinaram a promessa. A busca por maior igualdade de gênero no cinema francês continua, mas ainda há um longo caminho pela frente.
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