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Navegar pelo caos: lições sobre organização dos EUA

Mike Goodridge Fala Sobre o Mercado Cinematográfico no Festival de San Sebastián

O fundador e CEO da produtora britânica Good Chaos, Mike Goodridge, compartilhou suas reflexões sobre a indústria cinematográfica durante sua participação na Conferência de Investidores Criativos, no Festival de Cinema de San Sebastián. Em sua fala, ele destacou a importância de equilibrar prestígio com a viabilidade financeira das produções.

Goodridge afirmou que, embora prestigiar filmes seja gratificante, isso não é suficiente para cobrir as contas. Ele comentou sobre a experiência de produzir “Ballad of a Small Player”, um thriller psicológico estrelado por Colin Farrell e que será exibido no festival. Segundo ele, foi uma “experiência incrível” e uma produção consideravelmente maior do que as que costumam assumir na Good Chaos. “Queremos fazer mais desse tipo de projeto. Tenho prestígio saindo pelas orelhas. Mas prestígio não paga as contas,” frisou.

A Visão de Goodridge para a Indústria do Cinema Britânico

O executivo enfatizou seu desejo de construir uma empresa onde cineastas queiram trabalhar, pois eles reconhecem a segurança proporcionada. “Isso leva um tempo. Começamos de fato em 2020,” revelou.

Goodridge também abordou a rica tradição cinematográfica do Reino Unido, expressando sua ambição de produzir grandes filmes britânicos. Apesar de reconhecer as oportunidades, ele considera que compartilhar a mesma língua que os Estados Unidos é um “luxo e uma maldição”, uma vez que a maioria dos profissionais britânicos trabalha para empresas americanas.

A Relação com “Ballad of a Small Player”

A conexão de Goodridge com “Ballad of a Small Player” começou em 2018, quando ele ainda era o chefe da Protagonist Pictures, responsável por projetos como “The Rider” e “The Florida Project”. Durante aquele período, ele trabalhou em outra adaptação do autor Lawrence Osborne, que escreveu o romance que inspirou o filme. Inspirado por uma conversa com Osborne, Goodridge decidiu levar o projeto para Edward Berger, que se mostrou interessado.

Apesar do sucesso internacional de Berger, que ganhou dois Oscars por “All Quiet on the Western Front”, Goodridge destacou que o diretor se manteve comprometido com a produção. “Quando um diretor se torna tão popular, ele recebe muitas propostas. É admirável que Berger tenha continuado com este projeto,” comentou.

Desafios da Filmagem em Macao

Um dos principais obstáculos enfrentados pela equipe foi filmar em Macao. Goodridge revelou que muito poucos filmes ocidentais foram gravados lá, e a logística apresentava um desafio constante. “Tivemos que trabalhar com Hong Kong e dentro de Macao. Foi uma das coisas mais desafiadoras que já fiz,” disse ele.

Ele explicou como a produção foi complicada pela falta de conhecimento sobre a propriedade dos locais de filmagem. “Cada momento em que filmamos significava perda de receita para os cassinos. Eles nos disseram que um único apostador poderia gastar mais em um dia do que nosso orçamento total,” revelou.

O Papel da Netflix no Projeto

Goodridge também agradeceu publicamente à Netflix pelo apoio no projeto. Segundo ele, o orçamento inicial da produção era de cerca de 15 milhões de dólares e a Netflix superou essa quantia, permitindo que o filme fosse realizado. “É o tipo de filme que você não conseguiria fazer independentemente, então sou grato pelas plataformas,” comentou.

Recentemente, a Good Chaos anunciou outra parceria com a Netflix, com a aquisição dos direitos globais de “Left-Handed Girl”, que estreou na Semana da Crítica de Cannes. O filme é produzido e coescrito por Sean Baker, com quem Goodridge já havia trabalhado anteriormente.

Planos Futuros e Transição para a Televisão

Com uma temporada de festivais agitada, Goodridge está agora de olho nas oportunidades de televisão, mesmo reconhecendo os desafios em captar a atenção do público. “Estou muito confortável no mundo do cinema. Vejo imediatamente a estrutura de financiamento de um filme independente, mas na TV é diferente,” explicou, referindo-se às dificuldades de aprovação por parte das emissoras.

Goodridge está determinado a se estabelecer também na televisão, onde acredita que há uma troca significativa entre os formatos de cinema e TV atualmente. “Quero ter sucesso na televisão,” concluiu.
 
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