Mercado de financiamento em Veneza: Talentos diversos em alta
Venice Gap-Financing Market Continua a Atraír Projetos Cinematográficos
Após mais de uma década desde sua criação, o Venice Gap-Financing Market permanece como um componente vital da Venice Production Bridge. Essa plataforma tem se destacado como um terreno fértil para financiadores, distribuidores, agentes de vendas e profissionais da indústria cinematográfica, que buscam novos projetos em busca de completar seu financiamento.
Pascal Diot, responsável pela Venice Production Bridge, revelou que a lacuna no mercado foi o que o motivou a idealizar o evento.
Oportunidade em um Mercado em Desenvolvimento
Diot comenta que, quando criou o Venice Gap-Financing Market há 12 anos, não existia um mercado de co-produção desse tipo. Ele observa que eventos similares focam principalmente em projetos em desenvolvimento, embora ele tenha percebido que era extremamente desafiador encontrar os últimos 30% do orçamento de um filme.
Desde sua criação, o Venice Gap-Financing Market tem um histórico impressionante. De acordo com Diot, 80% dos mais de 400 projetos apresentados foram concluídos dentro de seis meses após sua exibição no Lido.
Parte desse sucesso se deve à exigência de que os projetos selecionados já tenham 70% de seu orçamento garantido, o que os torna uma opção mais segura para investidores potenciais.
Participantes de Destaque e Aumento nas Inscrições
Entre os projetos recentes, destacam-se “Flow”, de Gints Zilbalodis, vencedor do Oscar, e “The Mysterious Gaze of the Flamingo”, de Diego Céspedes, premiado em Cannes. Além disso, “The Souffleur”, estrelado por Willem Dafoe, estreia esta semana na seção Horizontes de Veneza.
Este ano, os organizadores receberam mais de 330 inscrições — um recorde para o evento. Diot ressalta que isso não apenas demonstra a popularidade do mercado, mas também os obstáculos crescentes que os produtores enfrentam para viabilizar suas obras. “Tenho recebido cada vez mais inscrições a cada ano, o que mostra que ainda é um grande desafio completar o financiamento”, afirma.
O evento deste ano inclui uma diversidade de projetos, como um longa-metragem produzido por Luca Guadagnino, uma estreia em inglês da cineasta Emily Atef, e novos trabalhos de diretores proeminentes como Babak Jalali.
Desafios na Indústria e Oportunidades de Adaptação
Diot destaca a importância de manter uma seleção diversificada, misturando cineastas renomados com talentos emergentes. Ele observa que a atual incerteza econômica está fazendo com que mais projetos de diretores famosos sejam enviados ao mercado.
Atef, cujo último filme competiu no Festival de Cinema de Berlim em 2023, compartilha a preocupação. Ela percebe a dificuldade enfrentada por muitos cineastas para realizar seus projetos.
“Está sendo muito difícil”, afirma Atef, que apresenta “Call Me Queen”, um drama ambientado nos anos 90 filmado no Quênia, que retrata a amizade improvável entre uma jornalista irlandesa e uma mãe solteira de um bairro carente.
Apesar das adversidades, Diot busca maneiras de adaptar o Venice Gap-Financing Market às novas realidades, incluindo uma transição para projetos mais imersivos nas próximas edições.
Ele acredita que, apesar dos desafios, o histórico do evento fala por si. “O objetivo é realmente ajudar a concluir os filmes e a apresentá-los ao público. Estou muito feliz com o que conseguimos até agora”, conclui Diot.
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