Idol japonês em julgamento: A queda de uma estrela J-Pop
Análise do Filme “Love on Trial” traz à tona a superficialidade do Estrelato J-Pop
O novo longa-metragem “Love on Trial”, dirigido por Koji Fukada, apresenta uma crítica sutil ao mundo glamouroso e superficial das estrelas pop japonesas. No entanto, a produção se apega a uma narrativa previsível, optando frequentemente pelo caminho menos intrigante diante das tensões apresentadas.
O Cotidiano da Banda Happyfanfare
A trama gira em torno da banda Happyfanfare, composta por cinco garotas que, após quatro anos de trabalho, estão prestes a dar um salto de visibilidade. As primeiras cenas do filme revelam a crueza por trás do brilho da fama, com a banda se apresentando em um pequeno palco para um público predominantemente masculino. Nesse ambiente misto de show, convenção de fãs e mercado, fica claro que a imagem projetada é apenas uma construção.
Após a apresentação, as integrantes fazem um meet-and-greet, onde os fãs podem interagir com as garotas. O gerenciamento da banda, representado pela ex-idol Saya e seu chefe de óculos escuros, está sempre de olho na popularidade individual das meninas. Essa competição interna gera um clima de pressão, onde, em um grupo de cinco, alguém sempre fica em segundo plano.
Rivalidade e Romance em Meio ao Caos
Atualmente, a protagonista é Mai, interpretada por Kyoko Saito, mas a concorrência de Nanaka, uma das integrantes, começa a crescer. A situação se complica quando um fã obsessivo declara ter comprado várias cópias do último single da banda para garantir um lugar privilegiado na fila para conhecer Nanaka. Com a ascensão de sua popularidade, Nanaka é escolhida para liderar o próximo single, mas um vídeo de seu romance com um gamer vaza, comprometendo sua imagem.
Neste universo de ícones da juventude hipersexualizados, o namoro é estritamente proibido, o que gera uma aura de pureza em torno das integrantes, uma contradição que atrai o público. A quebra dessa fantasia se revela perigosa, como demontra quando um fã insatisfeito aparece em um evento armado com bombas de fumaça e uma faca.
Entre a Comédia Romântica e o Drama Judicial
Embora a cena de ataque do stalker em “Love on Trial” ganhe um tratamento técnico de qualidade, com a cinematografia de Hidetoshi Shinomiya, a sequência carece de tensão e dinamismo. Através desse evento, Mai acabou se aproximando de Kei, um antigo colega, e ambos acabam desenvolvendo um vínculo platônico repleto de flertes inesperados. Contudo, o romance não se concretiza de imediato.
Ao invés de explorar a relação romântica de forma mais profunda, Fukada salta para oito meses depois, onde Mai e Kei enfrentam um processo judicial por quebra de contrato. Esse desenvolvimento se dá em um ambiente estéril de tribunal, onde os termos do contrato da banda são reavaliados, revelando as pressões que impactam o relacionamento do casal.
Apesar de Mai já demonstrar suas dúvidas em relação à vida de idol antes de conhecer Kei, sua saída abrupta do grupo não é totalmente surpreendente. No entanto, ao focar apenas na desigualdade de gênero refletida nesse acordo específico, o filme pode falhar ao ignorar a crueldade do sistema de produção e consumo de celebridades como um todo.
“Hell or High Water”, por exemplo, oferece críticas contundentes sobre o fandom tóxico, algo que “Love on Trial” não consegue capturar na totalidade. O filme de Fukada parece não conseguir se afastar o suficiente do fenômeno J-Pop para reconhecer suas estranhezas ou condenar suas crueldades, limitando-se a uma pequena cena de rebeldia que, no entanto, pouco altera o ciclo de exploração que permeia esse universo.
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