Ethan Hawke

Ethan Hawke revela segredos sobre Blue Moon e filmes futuros

Ethan Hawke: Sem Mais Nada a Provar

Aos 54 anos, Ethan Hawke não tem nada a provar. Com quatro indicações ao Oscar, mas sem vitórias, ele admite estar confortável com essa situação. A filosofia, que ele reverbera, foi uma recomendação de Denzel Washington há 24 anos, quando ambos foram indicados pelo filme “Dia de Treinamento”. Segundo Hawke, Denzel lhe disse: “Não se preocupe. Você não quer ganhar agora. Vai significar muito mais no futuro. Você ainda tem muito trabalho a fazer.”

Um Papel que Demorou 12 Anos para Chegar

A previsão de Denzel se mostrou correta. No novo filme de Richard Linklater, “Blue Moon”, Hawke entrega uma das performances mais profundas de sua carreira. A obra, que retrata o compositor Lorenz Hart lidando com sua própria obsolescência na noite da estreia de “Oklahoma!”, já é uma das dramedies mais comentadas da temporada de prêmios.

Esse projeto exigiu uma espera de 12 anos, principalmente a paciência de Linklater, que aguardou que seu colaborador amadurecesse para o papel. Durante esse tempo, Hawke e Linklater se encontraram periodicamente para ler o roteiro e aprimorar o trabalho ao lado do roteirista Robert Kaplow. Contudo, o verdadeiro motivo pela qual o filme demorou tanto para ser produzido não estava apenas no roteiro.

“I believe he was waiting for me to get older,” conta Hawke. O personagem precisava de alguém na casa dos 40 anos, capaz de transmitir a fadiga e a desilusão de Hart, que morreu aos 48 anos, enquanto seu parceiro, Richard Rodgers, atingia novas alturas com um colaborador mais jovem.

A Reflexão sobre Legado

A maneira com que Hawke conduz sua carreira, navegando entre dramas independentes e grandes produções, escrevendo romances e dirigindo documentários, é parcialmente influenciada por ter visto amigos lutarem com aclamações precoces.

Quando questionado sobre seu próprio legado, uma preocupação que surge mais frequentemente à medida que os tributos se acumulam, Hawke se desvia com sua típica autocrítica. “Eu acho que é uma maneira perigosa de pensar. Refletir sobre a própria imagem em terceira pessoa pode levar à vaidade ou ao ressentimento. Não há nada de bom que venha dessa conversa.”

A Dinâmica no Set

Hawke divide a tela com Andrew Scott, que interpreta Rodgers. Desde que viu Scott em “Hamlet” há 15 anos, reconheceu seu talento. Em uma jornada complicada durante as filmagens, os dois trabalharam em uma cena de sete páginas que condensava 25 anos de amizade em um único conflito. Após a gravação, Hawke recebeu uma mensagem de sua esposa parabenizando Scott por suas 19 indicações ao Emmy.

“Ele nunca mencionou isso,” compartilha Hawke. “Ele trabalhou o dia inteiro e nunca parou para celebrar. Saí de lá pensando: ‘Uau, ele realmente se encaixa bem nesse grupo.’”

Blue Moon e o Futuro do Cinema

“Blue Moon” é lançado pela Sony Pictures Classics, uma das poucas distribuidoras ainda apoiando dramas adultos de médio orçamento em um mercado dominado por algoritmos. Em um recente episódio do podcast, Hawke detalha sua performance transformadora, refletindo sobre legado e perda, e relembrando os conselhos de Denzel sobre perder na premiação.

No mesmo episódio, o ator Oscar Isaac fala sobre sua colaboração com Guillermo del Toro, revelando que atualmente só escolhe projetos com base nas pessoas envolvidas, não apenas nos roteiros.

Hawke refez sua carreira ao longo dos anos, alternando entre papéis e explorando novas formas de expressão. Na busca por um papel principal em “Blue Moon”, ele sentiu a possibilidade de explorar um trabalho mais profundo, um desejo que se consolidou com a influência de Linklater.

Ele reflete sobre a transição de sua carreira, onde fez o que muitos chamam de “trabalho de caráter”: “Esse desempenho me permitiu trabalhar nesse tipo de papel de forma mais ampla, o que foi emocionante.”

E, mais uma vez, destaca a importância de manter a criança interior viva em meio a obrigações profissionais. “Você quer manter aquele amor infantil pela arte,” conclui Hawke sobre a conexão essencial que o ator deve ter com seu ofício.

O Impacto do Cinema e a Busca por Humanidade

O mundo do cinema mudou, e Hawke observa com preocupação a ascensão da automação. “Estamos lentamente cedendo nossa humanidade em nome da eficiência.”

A profunda conexão que a arte proporciona é insubstituível, e Hawke acredita que a verdadeira beleza do cinema está nas imperfeições e na experiência humana que ele retrata. “A arte não se trata de perfeição. É sobre o processo bagunçado e belo de criar algo real.”

Em meio a reflexões sobre seu legado, Hawke se mantém esperançoso pela continuidade de seu trabalho, enfatizando que o que importa são as conexões que ele cria através da arte e a permanência de seu legado no cinema.
 
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