Estratégia de festivais de cinema que impulsiona campanhas Oscar
Estratégias de Lançamento para o Oscar: O Que Está em Jogo
Para os estúdios de Hollywood que buscam a cobiçada estatueta do Oscar, escolher o local ideal para estrear um filme é uma das decisões estratégicas mais importantes da temporada. Um lançamento bem-sucedido em festivais renomados pode gerar meses de repercussão positiva, enquanto uma escolha errada pode comprometer uma campanha de prêmios antes mesmo de começar.
Apostando em Festival: O Jogo Calculado
“A cada vez é um risco calculado”, afirma um executivo de estúdio que preferiu permanecer anônimo ao discutir estratégias internas. “Você pondera o potencial de sucesso de um lançamento em festival contra o risco real de uma rejeição crítica precoce, que pode te seguir durante toda a temporada.”
Festivais como Telluride, Veneza e Toronto oferecem aos estúdios benefícios significativos. Primeiramente, são uma fonte crucial de impulso inicial. Filmes que recebem aclamação em eventos de alto nível frequentemente carregam essa boa vontade durante meses de campanha, criando uma sensação de inevitabilidade que pode influenciar os votantes da Academia.
Além disso, esses festivais permitem que os estúdios testem seus filmes com críticos e profissionais da indústria, cujos elogios moldam a conversa inicial. “Quando você recebe uma ovação de pé em Veneza ou ganha o Prêmio do Público em Toronto, os votantes do Oscar sabem que precisam considerar seu filme”, diz um veterano em estratégias de premiação. “Você recebe validação do público exato que precisa convencer durante a temporada de prêmios.”
Veneza: Prestígio e Risco
O Festival Internacional de Cinema de Veneza envolve um cálculo particularmente complexo. Embora o prêmio Leão de Ouro não garanta sucesso no Oscar – desde 2009, apenas cinco vencedores do prêmio principal conseguiram indicações para melhor filme – Veneza oferece prestígio internacional e atenção da mídia em um momento crítico do calendário de premiações. Uma recepção forte lá pode colocar um filme na posição de favorito.
No entanto, as festivais também podem paralisar um filme. Uma rejeição crítica precoce pode gerar uma narrativa negativa que se torna praticamente impossível de reverter. O caso de “Joker: Folie à Deux” é um exemplo desse risco. Apesar de uma ovação de 11 minutos na estreia em Veneza, a forte reação negativa da crítica superou qualquer boa vontade inicial. A sequência da Warner Bros., que custou 200 milhões de dólares, estreou domesticamente com apenas 40 milhões, e as chances de prêmios para Joaquin Phoenix e Lady Gaga desapareceram rapidamente após as críticas.
Outro filme, “One Battle After Another”, dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Leonardo DiCaprio, decidiu evitar Veneza e não deve aparecer em Telluride. Com um orçamento estimado em 175 milhões de dólares, o estúdio optou por evitar festivais para não arriscar o escrutínio crítico que poderia prejudicar as perspectivas comerciais. Essa abordagem focada no box office é evidente até mesmo em uma parceria surreale entre o novo filme de Anderson e o jogo online Fortnite.
Alternativas no Circuito de Festivais
Devido aos custos e complicações de levar talentos pelo mundo em um curto período, muito poucos filmes participam de todo o circuito de festivais de outono – Nova York, Veneza, Telluride e Toronto. No ano passado, a Apple TV+ tentou essa estratégia com a minissérie de Alfonso Cuarón, “Disclaimer”, que recebeu apenas duas indicações ao Emmy. Este ano, parece que nenhum filme deve seguir esse modelo.
Alguns estúdios, como a Universal Pictures, geralmente evitam festivais. O próximo “Wicked: For Good” não deve estrear em nenhum festival importante. Essa abordagem conservadora elimina o risco de críticas negativas iniciais, mas também abre mão do impulso potencial que um lançamento prestigiado pode oferecer.
Por outro lado, a Netflix continua investindo pesado em estratégias de festivais. Após “The Power of the Dog” conquistar 12 indicações ao Oscar, a plataforma planeja exibir “Jay Kelly”, de Noah Baumbach, com George Clooney e Adam Sandler, em vários festivais.
A Focus Features, cheia de perspectivas de prêmios, planeja estrear “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, e “Hamnet”, de Chloé Zhao, em Veneza e Telluride, além de lançar o drama de retorno de Daniel Day-Lewis, “Anemone”, ainda este ano. “Song Sung Blue”, também da Focus, será lançado no Natal, mas provavelmente pulando o circuito de festivais.
Decisões que Definem o Futuro
No fim das contas, uma estratégia de estreia em festivais reflete a confiança de um estúdio em seu filme e sua disposição para assumir riscos. Em uma indústria onde a percepção frequentemente se torna realidade, a escolha de estrear em Veneza em vez de Toronto — ou de pular festivais completamente — pode determinar não apenas a trajetória de prêmios de um filme, mas também seu lugar na contagem dos Oscars.
“Isso se resume a confiar que o público que você escolhe revelar o filme irá entendê-lo”, conclui um estrategista. “E esse é o maior risco de todos.”
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