Drama de empoderamento feminino: conheça ‘Call Me Queen’
Emily Atef Lança Novo Filme: “Call Me Queen”
A renomada cineasta germano-francesa de origem iraniana, Emily Atef, está em fase de pós-produção de seu novo filme, “Call Me Queen”. A obra, que promete ser um drama de empoderamento feminino ambientado no Quênia, será apresentada durante o Venice Gap-Financing Market, que acontece de 29 a 31 de agosto.
Enredo Marcante
“Call Me Queen” narra a história de uma mulher destemida de um dos maiores bairros de favela de Nairóbi, que encontra uma conexão inesperada com um jornalista irlandês que vive na capital queniana. Ambientado no final dos anos 90, durante a epidemia de AIDS que devastava comunidades carentes, o filme segue a dupla improvável enquanto lutam contra empresas farmacêuticas que negam aos quenianos o acesso a tratamentos que podem salvar vidas.
O filme é produzido pela Ringel Film em co-produção com Les Films Pelléas e Ascent Films. Os produtores incluem Gian-Piero Ringel, co-fundador da produtora de Berlim ao lado do diretor Wim Wenders, e David Thion, que participou da produção de “Anatomy of a Fall”. A Global Constellation é responsável pela venda mundial do filme.
Desenvolvendo uma Narrativa Inclusiva
Em uma conversa, Atef relembrou um telefonema de Ringel em 2018, que a apresentou a um projeto em inglês e com foco feminino, inspirado no romance “Mercy”, da correspondente estrangeira italiana Lara Sontoro. “Sempre me atraí por histórias que se passam longe e que têm protagonistas femininas ligadas à emancipação”, disse a cineasta, que viu grande potencial no filme desde o início.
Contudo, ela sabia que adaptar o material para o cinema exigiria um trabalho cuidadoso. “O romance é muito bem escrito, mas segue a perspectiva de uma correspondente de guerra branca no final dos anos 90 em Nairóbi. Desde então, as coisas mudaram muito”, comentou. Para desenvolver o roteiro, Atef trabalhou ao lado das co-roteiristas Jeannine Dominy, Josune Hahnheiser e Hawa Essuman, mudando o foco da narrativa da jornalista irlandesa, Anna, para Quinta, chamada de “Rainha”. Esta é uma mãe solteira de Ruanda que vive nas favelas de Nairóbi e cuja vida muda drasticamente após ser diagnosticada com HIV.
Uma Luta Contra a Corrupção
O filme acompanha a luta liderada por Rainha, que se depara com a ganância corporativa enquanto descobre como os quenianos pobres são privados do acesso a medicamentos essenciais. Juntas, Rainha e Anna embarcam em uma jornada que se transforma em uma ousada batalha contra a doença, a pobreza, a indústria farmacêutica e um governo corrupto.
Atef enfatiza a importância de que essa história represente uma emancipação africana. “É uma história de emancipação feminina, mas também uma história de emancipação africana. Nossa ‘Rainha’ é a heroína, ela é quem mobiliza sua comunidade para trazer mudanças”, destacou.
O elenco conta com a atriz ruandesa Eliane Umuhire, que já participou de “A Quiet Place: Day One” e da estreia do thriller de ficção científica francês “Plan B” em Veneza. Atef também se comprometeu a manter a produção liderada por africanos, com 98% da equipe sendo queniana, incluindo a co-roteirista Essuman e o co-produtor Api Matene.
Emily Atef e Suas Temáticas Femininas
Atef é conhecida por seu trabalho em filmes como “Someday We’ll Tell Each Other Everything” (2023), e “3 Days in Quiberon” (2018), além de ter dirigido “More Than Ever”, apresentado na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2022. Ela destaca que sempre foi atraída por relatos de emancipação feminina, que retratam a jornada existencial de heroínas em contextos distantes.
Sobre a protagonista de “Call Me Queen”, Atef disse: “Ela nasceu uma heroína, mas nunca soube disso. Ela lutou apenas por seus filhos até perceber que precisava mudar. Não está apenas em jogo o que é dela, mas sim o bem de seu povo. Se ninguém mais vai fazer, ela fará”.
Produção e Relevância Atual
As filmagens de “Call Me Queen” ocorreram entre outubro de 2024 e março de 2025, com as gravações principais realizadas em janeiro e fevereiro deste ano, em um período turbulento no Quênia, marcado por protestos antigovernamentais desde a primavera. Durante a pré-produção, Atef testemunhou manifestações relacionadas a femicídios que abalaram o país, com milhares de mulheres quenianas clamando por justiça nas ruas.
“Foi incrível”, afirmou. Para Ela, o contexto político que envolveu a produção torna “Call Me Queen” ainda mais relevante. “Mesmo ambientado em 1999, é uma história muito moderna. É política, é atual. Trata-se do poder da comunidade e da resistência. Temos o poder, mesmo que nos digam o contrário”, concluiu.
Veja em nossa página principal mais dicas e conteúdos imperdíveis!
