conferência de investidores creativos em San Sebastián

Conferência de investidores creativos em San Sebastián: Insights

Conferência de Investidores Criativos de San Sebastián: Um Olhar Sobre a Indústria Cinematográfica

A terceira edição da Conferência de Investidores Criativos de San Sebastián, co-organizada com a CAA Media Finance, chegou ao fim em alto astral. O evento contou com um debate envolvente entre Roeg Sutherland, co-chefe da CAA Media Finance, e Patrick Wachsberger, CEO da 193. Essa troca de ideias foi seguida por apresentações que abordaram os prós e contras da produção cineasta nos Estados Unidos e na Europa.

Um Cenário Desafiador

Durante a conversa, Sutherland destacou que não estamos vivendo os melhores tempos, mas uma época específica. Ele mencionou que existe um divórcio entre aqueles que “têm” e os que “não têm”. A qualidade da produção é essencial: quem consegue atingir os objetivos está indo tão bem quanto no período pré-pandemia. Já quem não consegue, enfrenta dificuldades sem um “paraquedas” para ajudá-los.

A Relevância do Talento

Domingo Corral, ex-diretor de ficção da Movistar Plus+, reafirmou que o aspecto mais importante do setor não é a ideia em si, mas sim as pessoas criadoras. Essa abordagem continuará a ser seu foco como produtor independente. Segundo Corral, empresas de qualquer tamanho devem concentrar-se em como apoiar suas companhias de produção para que possam criar os filmes desejados. A ênfase no talento, tanto de produtores quanto de criadores, permanece como uma fórmula testada e aprovada para o sucesso.

Desafios da Escala

A questão da escala foi um tema recorrente nas discussões dos painelistas europeus. O acesso a mercados financeiros é positivo, mas ainda falta escala nos projetos. A dificuldade em financiar filmes com orçamentos entre 20 a 50 milhões de dólares preocupa profissionais como Rodolphe Buet, da Studio TF1. Para competir em festivais de prestígio como Cannes e Veneza, os orçamentos direcionados devem girar em torno de 10 milhões de dólares. Corral citou “Sirât”, vencedor do Prêmio do Júri de Cannes, como exemplo de um filme que se destacou com investimento apropriado.

O Papel das Marcas no Financiamento

Uma nova tendência observada é o crescente envolvimento das marcas, especialmente casas de moda, no financiamento de filmes. David Taghioff, da Library Pictures Intl, citou o exemplo do filme “Emilia Pérez”, cofinanciado pela Saint Laurent. As marcas já não estão apenas investindo em placement de produtos, mas buscam alinhamento criativo com diretores e temas relevantes.

Desafios no Mercado de Vendas

Nos anos 90, o auge dos pré-vendas e contratos de distribuição permitia cobrir 125% de um orçamento apenas com financiamento bancário e pré-vendas. No entanto, essa realidade mudou. A escassez de distribuidores americanos dispostos a fazer pré-vendas e o pagamento de taxas equitativas por serviços de streaming são problemas enfrentados atualmente. Muitos criadores agora assumem riscos maiores, uma vez que poucos distribuidores estão disponíveis e já têm suas propostas até 2027.

Custo e Créditos Fiscais nos EUA

Os produtores buscam a Europa não apenas por suas belezas, mas também devido à diferença de custos. A situação se tornou dramática. O filme “Chronology of Water”, por exemplo, precisou ser gravado fora dos EUA para minimizar riscos financeiros. Problemas com créditos fiscais em estados como Louisiana e Nova York tornam a produção americana ainda mais complicada e dispendiosa.

Colaboração e Co-Produção

A colaboração entre empresas é outra estratégia que vem ganhando força. Elisabeth d’Arvieu, da Mediawan, destacou a importância de sucessos locais e a demanda por produtos regionais. Citou exemplos de co-produções bem-sucedidas que mostram como a união entre empresas pode criar conteúdo relevante e atrativo.

A Caminho da América Latina

Por fim, a América Latina pode estar se encaminhando para um novo horizonte no setor. Filmes de ação estão ganhando espaço, apesar de não serem um gênero tradicional na região. A necessidade de projetos maiores, na faixa de 10 a 25 milhões de dólares, foi ressaltada para assegurar uma competição saudável no cenário global. Antigos orçamentos de festivais que eram de 1 milhão de dólares agora somam 5 milhões, permitindo a inclusão de elencos mais robustos para obter reconhecimento.

Com o aumento do financiamento privado e a aposta em histórias relevantes, a América Latina se mostra promissora no cenário cinematográfico mundial.
 
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