Imperdível no streaming: O filme mais controverso do último ano
Um filme que estava esquecido nas prateleiras se transformou em um fenômeno de bilheteria nos EUA, após ser lançado nos cinemas por uma distribuidora independente voltada para o público cristão. Com arrecadação superior a 184 milhões de dólares, Som da Liberdade superou, na América do Norte em 2023, títulos de grande porte como Missão Impossível 7: Acerto de Contas Parte 1, que faturou pouco mais de 172 milhões de dólares no mercado doméstico.
Parte desse sucesso se deve a uma estratégia de marketing inusitada, na qual o público foi incentivado a comprar ingressos para pessoas que não tinham condições financeiras de assistir ao filme. Mesmo sem essa tática de venda, Sound of Freedom, no original, é uma história de sucesso por si só, considerando que sua produção custou apenas 14,5 milhões de dólares. Além disso, as controvérsias em torno do filme parecem ter aumentado ainda mais a curiosidade do público.
O suspense foi frequentemente rotulado como um filme conservador, uma vez que o ator principal Jim Caviezel e Tim Ballard, cuja história real o filme retrata, têm proximidade com o grupo de conspiração conservador de direita QAnon. No entanto, essas ideias não têm papel significativo na produção e podem ser vistas apenas como subtexto.
Som da Liberdade é baseado na vida de Tim Ballard (interpretado por Jim Caviezel, estrela de A Paixão de Cristo). Ele trabalhou por muito tempo como agente de segurança interna, combatendo o tráfico de pessoas e crianças em nome do governo. Mas a burocracia frequentemente atrasava seu trabalho, levando o agente a enfrentar desafios inesperados. Todo o sofrimento e os crimes cruéis motivaram Ballard a agir por conta própria.
Ballard largou o emprego e foi para a América do Sul, onde começou uma busca para erradicar o problema e resgatar crianças das mãos de traficantes de seres humanos. Porém, sua missão gradualmente começou a impactá-lo.
Som da Liberdade se configura como um suspense típico que aborda uma questão importante, mas, por vezes, recorre a imagens exageradamente emotivas (como close-ups de Jim Caviezel lacrimejando) e cujo orçamento limitado é notável. O único incômodo é que o filme tem sido cada vez mais associado a grupos de direita por conta das declarações controversas do ator principal e do foco em um protagonista polêmico. Isso também trouxe desafios para o diretor Alejandro Monteverde, que já se desassociou várias vezes dessa instrumentalização.
A crítica do AdoroCinema avaliou o filme com 2,5 de 5 estrelas: “Som da Liberdade se beneficiou da polêmica em que se envolveu. A produção não é a tragédia que alguns alegam – tampouco é o salvador de lares que outros afirmam. A história de Tim Ballard se encontra em um morno meio termo onde, se não fossem as controvérsias, já teria caído no esquecimento.”
