Hoje no streaming: Clássico do faroeste que ousou inovar o gênero
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Hoje no streaming: Clássico do faroeste que ousou inovar o gênero

O filme de faroeste Um Homem Chamado Cavalo, sob a direção de Elliot Silverstein, conhecido por Dívida de Sangue, destaca-se não apenas por suas inovações, mas também pela performance marcante de Richard Harris, que fez sucesso em Gladiador. Uma das características que chamam a atenção é o sofrimento físico que o personagem principal enfrenta ao longo da narrativa, que se aproxima da brutalidade encontrada em filmes de terror.

A Man Called Horse, título original, pode ser assistido no catálogo do Looke.

O elenco é complementado por talentosos atores, incluindo Judith Anderson (Jornada nas Estrelas III – À Procura de Spock), Manu Tupou (Um cowboy no Havaí), Corinna Tsopei, que foi coroada Miss Universo em 1964, Dub Taylor (Pat Garrett & Billy the Kid) e James Gammon (Wyatt Earp).

Enredo e Contexto

Ambientado em 1825, o enredo segue Lord John Morgan (interpretado por Harris), um inglês que, de maneira bastante ingênua, acredita que o Velho Oeste da América do Norte oferece uma experiência de férias repleta de aventura. No entanto, sua captura pela tribo Lakota Sioux revela uma realidade muito mais intensa do que ele poderia imaginar. Os nativos não tratam o homem branco com respeito e o forçam a realizar tarefas servil.

Conforme Morgan permanece com os nativos, ele começa a desenvolver respeito por sua cultura, demonstrando tenacidade e aceitação de seus costumes. Sua luta bem-sucedida contra dois guerreiros da tribo rival Shoshonen o coloca em um caminho para ser aceito como um membro da comunidade. Contudo, antes que isso se concretize, ele deve passar por um ritual brutal de aceitação, que inclui tortura física significativa. Como resultado de sua perseverança, ele não apenas vê seu status na tribo elevado, mas também ganha a mão de Running Deer (Tsopei), a encantadora irmã do Chefe Mão Amarela (Tupou).

O roteiro, escrito por Jack DeWitt (Fortaleza Proibida), é inspirado em uma história da autora Dorothy M. Johnson, conhecida por O Homem que Matou o Facínora. Este filme foi um dos primeiros faroestes a apresentar os povos nativos como protagonistas e a respeitar sua cultura, em oposição à representação tradicional de vilões unidimensionais.

Crítica e Impacto

No entanto, na época de seu lançamento, vários membros da tribo Sioux levantaram críticas sobre o filme, principalmente pelo fato de que ele ainda contava com um ator branco no papel principal, decisão tomada por questões comerciais, além de distorções de alguns costumes para se encaixar na narrativa. Apesar desses pontos, Um Homem Chamado Cavalo foi ousado ao permitir que os nativos falassem em sua própria língua durante longos trechos. Mesmo que alguns rituais parecessem cruéis para o público ocidental, eles frequentemente eram bem recebidos pelos próprios nativos.

Essas abordagens inovadoras eram inéditas em produções de Hollywood até então. Para um gênero que, na época, era bastante conservador — o filme estreou em 1970 —, essa atitude revolucionária fez com que ele se tornasse um precursor de filmes relevantes como Dança com Lobos, Gerônimo – Uma Lenda Americana, O Último dos Moicanos e O Novo Mundo.

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