Animação: Adrià Garcia e a Aventura ‘O Tesouro do Barracuda’
Adrià García Retorna à Animação com “O Tesouro de Barracuda”
Após quase 18 anos desde que seu filme de estreia, “Nocturna”, conquistou o Prêmio Goya de Melhor Filme de Animação, Adrià García está de volta ao mundo da animação com “O Tesouro de Barracuda”. O filme, que terá sua estreia mundial no Festival de Cinema de San Sebastián, de 19 a 27 de setembro, é uma adaptação do livro homônimo de Llanos Campos e narra a aventura de uma jovem órfã que, por acaso, se vê a bordo de um navio pirata comandado pelo capitão Barracuda.
A Longa Espera e a Gênese do Projeto
Em entrevista, García comentou sobre os anos de espera entre seus dois longas de animação. O diretor atribui essa pausa ao tempo necessário para desenvolver um projeto dessa magnitude. A ideia de “O Tesouro de Barracuda” surgiu durante a pandemia, quando o produtor Valérie Delpierre, da Inicia Films, contatou García, oferecendo a ele a oportunidade de moldar a história.
“Mesmo que a ideia original tenha vindo da Valérie, foi uma boa oportunidade para eu me aprofundar”, observou García. Ele destacou a liberdade criativa no desenvolvimento da narrativa, ao mesmo tempo em que quis manter a essência do universo do livro. “A arte original foi o que me fez me apaixonar pelo projeto. Era um desafio interessante ter essa referência, mas ao mesmo tempo fazer algo único, brincando com o espírito das ilustrações,” acrescentou.
Transição de Live-Action para Animação
Inicialmente, Delpierre considerou a possibilidade de realizar o filme em live-action. “Eles nunca tinham trabalhado com animação antes”, lembrou o diretor. Quando a equipe se reuniu, eles já estavam com um esboço do roteiro, mas não tinham certeza se seguiriam com a animação. “Fazia sentido transformar o livro em um filme animado, já que ele já possuía ilustrações e piratas de contos de fadas”, explicou.
No enredo, o tesouro só pode ser encontrado ao seguir as instruções de um livro. Apesar de nenhum pirata ser alfabetizado, a jovem órfã, carinhosamente apelidada de Sparkie, foi educada por freiras e garante seu lugar na tripulação ao ensinar os piratas a decifrar as palavras.
Uma Fábula Sobre Conexões e Leitura
García destaca que, embora “O Tesouro de Barracuda” seja uma aventura pirata, é também uma fábula emocionante sobre o poder da leitura e a importância das famílias escolhidas. Ao refletir sobre o que o atraiu para a história, ele comentou que achou a interação entre piratas e crianças “muito especial”. “Não são piratas realistas; eles estão mais próximos de crianças”, explica.
Uma Nova Visão para a Animação
Ao montar sua equipe, García buscou colaboradores de fora do mundo da animação, como o diretor de arte Enrique Fernández, que tem uma carreira em quadrinhos. “Eu realmente gostava do que ele fazia. Quando o procurei, não tinha certeza se ele aceitaria trabalhar com animação, mas ele trouxe seu próprio estilo ao projeto”, diz.
Para García, o cenário da animação, especialmente na Europa, mudou significativamente nos últimos 20 anos. “Quando comecei, só existiam grandes estúdios americanos como a Disney. Agora, na Europa, o ambiente é muito mais diverso e rico, com muitas oportunidades para criar e alcançar novos públicos”, destacou.
Expectativa pelo Futuro
Sobre a possibilidade de levar outros 20 anos para lançar outro longa de animação, García espera que não seja necessário. Por ora, ele desfruta do “enorme alívio” de ter finalizado seu novo projeto. “Quero ter um distanciamento em relação a ele e ver as reações. Estou apenas desfrutando do momento, porque nunca se sabe o que acontecerá com um filme”, concluiu.
“O Tesouro de Barracuda” é produzido por Valérie Delpierre na Inicia Films, em co-produção com Hampa Studio, representado por Álex Cervantes e Álvaro García, e Raphaële Ingberg da belga Belvision.
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