Cinema independente

Cinema independente: o que dizem Diana e Franco sobre ele?

Desafios do Cinema Independente Colombiano em Debate

O Bogotá Audiovisual Market (BAM), que ocorreu na última semana, contou com um painel que atraiu um público significativo, muitos deles em pé, devido à lotação da sala. O tema do painel, “Produtores à Beira de um Colapso Nervoso”, despertou a curiosidade de profissionais do setor.

Entre os participantes estavam alguns dos mais renomados produtores e diretores da Colômbia. Diana Bustamante (“Memoria”), Cristina Gallego (“Birds of Passage”), Franco Lolli (“Gente de Bem”) e Manuel Ruiz Montealegre, produtor do vencedor da Palma de Ouro em Cannes, “A Poet”, representaram a associação colombiana de produtores independentes, recém-fundada em 2023. Gallego, presidente da PI, atuou como moderadora.

Desafios da Indústria Cinematográfica

O painel destacou os desafios enfrentados pela indústria cinematográfica independente na Colômbia, uma década após a implementação da nova lei de cinema e seus incentivos. A discussão enfatizou a necessidade urgente de maior colaboração entre produtores, diretores e instituições.

Franco Lolli comentou: “Nos últimos 10 anos, percebi que o mercado se fechou completamente para filmes autorais — não só na Colômbia, mas também em plataformas de streaming e televisão. O interesse por filmes, especialmente cinema autoral, diminuiu. Isso não se limita à Colômbia, é uma tendência global, até mesmo em festivais renomados como Cannes.”

Ele acrescentou que as decisões governamentais não têm acompanhado a gravidade da crise enfrentada, ressaltando que a reunião visava compartilhar experiências e buscar soluções.

Repercussões da Lei de Cinema

Diana Bustamante lembrou que quando a lei de cinema entrou em vigor há 10 anos, houve uma espécie de “florescimento” na produção, mas que rapidamente se apagou. “Desde então, vivemos em um estado de crise constante. O cinema independente, por mais independente que seja, enfrenta uma relação conflituosa com a estrutura industrial – especialmente no que diz respeito à exibição e distribuição”, destacou.

Ela alertou sobre o colapso dos circuitos alternativos não desenvolvidos adequadamente, resultando em um cenário em que muitos filmes não chegam ao público. “Apesar de haver mais oportunidades de financiamento, ainda enfrentamos uma barreira significativa. O problema não é a qualidade dos nossos filmes, mas a falta de acesso a eles”, afirmou.

Impacto da Pandemia e Resistência do Cinema

A bilheteira na Colômbia ainda não se recuperou da pandemia, com o cinema local registrando apenas 1,5% de participação nos primeiros seis meses do ano, mesmo com 28 novos lançamentos. No ano passado, aproximadamente 70 filmes colombianos foram lançados, mas poucos fizeram sucesso.

Cristina Gallego, produtora do indicado ao Oscar “Embrace of the Serpent”, mencionou que “fazer filmes na Colômbia é um ato de resistência”. Ela comparou o cinema independente a uma vertente punk, desafiando as normas da grande indústria.

Ela compartilhou suas dificuldades ao produzir seu primeiro longa-metragem e a necessidade de criar novas formas de viabilizar projetos. “Fazer cinema na Colômbia, que na maioria das vezes significa ser independente, requer que trabalhemos em divergência, buscando novos caminhos”, disse.

Propostas e Conclusões

Os participantes concordaram que a implementação de cotas para filmes locais provavelmente não seria eficaz, dado o desinteresse de expositores em exibir filmes nacionais sem garantia de público. Ao final do painel, ficaram mais perguntas do que respostas.

Manuel Ruiz Montealegre concluiu: “Nosso objetivo é criar caminhos para que o cinema continue sendo uma possibilidade para diversas vozes, desde as regiões, espaços acadêmicos até o cinema comunitário e independente, assegurando que a expressão cinematográfica se mantenha viva.”

O BAM ocorreu entre os dias 14 e 18 de junho.
 
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