Príncipe de Nanawa é o grande vencedor do Visions du Réel
Clarisa Navas e Bani Khoshnoudi se destacam no festival Visions du Réel
O documentário “O Príncipe de Nanawa”, da cineasta argentina Clarisa Navas, conquistou o Grande Prêmio do festival suíço Visions du Réel. Já “O Ponto de Desaparecimento”, da diretora iraniana Bani Khoshnoudi, levou o principal prêmio da seção Burning Lights.
Navas, conhecida por seu longa vencedor do Festival de San Sebastián em 2020, “Um em Mil”, dedicou uma década à produção de “O Príncipe de Nanawa”. O documentário conta a história de Ángel, um garoto carismático que nutre um profundo amor por suas raízes guaranis e sonha com o futuro de sua cidade natal, Nanawa, no Paraguai. Com a câmera em mãos, Ángel narra sua própria história.
Reconhecimento da crítica
O júri, formado pela diretora de festivais de cinema japonesa Hama Haruka, a cineasta americana Eliza Hittman e a diretora grega Athiná-Rachél Tsangári, elogiou a película como “uma obra que equilibra autoficção, ficção e não-ficção com confiança e humildade”. Eles ressaltaram que “a câmera se torna um instrumento comunitário e familiar que registra com paixão o microcosmo da juventude ao navegar por fronteiras e limites”.
O Grande Prêmio inclui um prêmio em dinheiro de 20.000 CHF (cerca de 24.000 dólares).
Na mesma seção, o Prêmio Especial do Júri foi concedido a “Usar uma Montanha”, de Casey Carter, que investiga locais rurais nos EUA que foram considerados para descarte de resíduos nucleares. A obra “Anamocot”, de Marie Voignier, que documenta a busca de um cientista francês pelo mítico Mokélé-Mbembé, recebeu uma Menção Honrosa.
História de luta e resistência
Khoshnoudi, uma cineasta exilada e artista visual cujo trabalho é exibido mundialmente, recebeu o segundo prêmio mais importante do festival por “O Ponto de Desaparecimento”. O filme quebra um silêncio familiar de décadas sobre a execução de um primo desaparecido durante as purgas de 1988 no Irã.
O júri, que incluía o cineasta americano Scott Cummings, o produtor francês Thomas Hakim e a diretora georgiano-suíça Elene Naveriani, descreveu a obra como “uma exploração ousada e radical da dor compartilhada e da resistência coletiva”, elogiando a forma como a cineasta abre sua história familiar para revelar um caleidoscópio de materiais pessoais e políticos.
Esse prêmio é acompanhado de um prêmio em dinheiro de 10.000 CHF (aproximadamente 12.000 dólares).
Destaques adicionais do festival
O filme “Para o Oeste, em Zapata”, de David Bim, também se destacou, recebendo tanto o Prêmio Especial do Júri da seção Burning Lights quanto o Prêmio do Críticos Internacionais – Prix FIPRESCI.
Uma Menção Honrosa foi dada ao filme “Fierté nationale: de Jéricho vers Gaza”, de Sven Augustijnen, que narra a jornada de um diplomata palestino da Cisjordânia ocupada até a fronteira de Gaza.
Na Competição Nacional, “As Múltiplas Vidas de Andrés” (“Les Vies d’Andrès”), dos suíços Baptiste Janon e do belga Rémi Pons, levou o prêmio principal. A obra, que se inspira na vida de um carroceiro do início do século XX, retrata um motorista atual navegando por uma Europa contemporânea obcecada pelo lucro. Este prêmio vem acompanhado de 15.000 CHF (cerca de 18.000 dólares).
O prêmio do público foi para “Cortando Rochas”, vencedor do Grande Prêmio do Júri de Sundance, dirigido por Mohammadreza Eyni e Sara Khaki.
Reflexão sobre a seleção de 2025
A diretora artística do Visions du Réel, Émilie Bujès, elogiou a seleção de 2025, destacando-a como “um verdadeiro bastião contra a padronização do cinema e das ideias”. Ela afirmou que os 154 filmes apresentados no festival oferecem uma variedade de prismas para explorar o cinema documental contemporâneo e descobrir vozes criativas e únicas. “Fico feliz em ver que os prêmios deste ano refletem essa ambição, incluindo filmes realizados ao longo de longos períodos”, afirmou.
Todos os filmes premiados tiveram suas estreias mundiais no Visions du Réel, que segue até o próximo domingo, com seleção online disponível até 20 de abril.
Perguntas Frequentes
O que é o ‘Príncipe de Nanawa’?
É um documentário que foi premiado no festival Visions du Réel.
Quem ganhou o prêmio de melhor filme no Visions du Réel?
O documentário ‘Príncipe de Nanawa’ foi o grande vencedor.
Qual é o tema do documentário ‘Príncipe de Nanawa’?
O documentário aborda a vida e a cultura da comunidade indígena nanawa.
Onde acontece o festival Visions du Réel?
O festival ocorre em Nyon, na Suíça.
Qual a importância do prêmio do Visions du Réel?
O prêmio destaca trabalhos inovadores na produção de documentários.
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